Na Web: Deleuze - esquizoanalista, por Suely Rolnik

Um esboço de definição do desejo - "Mas o que estou designando aqui pela noção de 'desejo'? Em poucas palavras: impulso de atração que nos leva em direção a certos universos e de repulsa que nos afasta de outros, sem que saibamos exatamente porquê, guiados como que cegamente pelos afetos que cada um destes encontros gera em nosso corpo; formas de expressão que criamos para trazer para o visível e o dizível os estados sensíveis que tais conexões e desconexões vão produzindo na subjetividade; metamorfoses de nós mesmos e de nossos territórios de existência que se fazem nesse processo. Pois bem, regimes totalitários não incidem apenas na realidade concreta, mas também nesta impalpável realidade do desejo. Violência invisível, mas não menos inexorável".

Sobre a esquizoanálise - "Esquizoanálise é o nome que Deleuze e Guattari deram à vertente clínica de sua teoria do desejo. Enquanto a Psicanálise parte de um modelo de psiquê fundado no estudo das neuroses, tendo como eixo a pessoa e as identificações, a esquizoanálise inspira-se antes nas pesquisas sobre a psicose; ela se recusa a rebater o desejo sobre os sistemas personológicos para enfatizar sua natureza produtiva e criadora, inscrita no campo social e cultural e responsável por suas metamorfoses. A esquizoanálise está presente no exercício clínico e teórico de psicoterapeutas de diferentes correntes, principalmente psicanalíticas, que recorrem ao pensamento de Deleuze e Guattari não só em seus consultórios, mas também no trabalho com grupos e instituições, vinculado sobretudo à psicose e ao campo da saúde pública. Pode-se dizer, ainda, que a esquizoanálise habita, embora não explicitamente, o  imaginário de psicanalistas de diferentes filiações – e não só dos que a reivindicam –, funcionando como uma espécie de chamado à dimensão crítica da clínica".

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