Arquivo para download: A discordância conciliável em relação à psicanálise: um estudo sobre o percurso que vai da sintomatologia à topologia dos níveis diferenciais na filosofia de Gilles Deleuze, por Flávio Luiz de Castro Freitas
O objetivo do presente trabalho consiste em explicitar a natureza das relações entre a filosofia e a psicanálise no pensamento de Gilles Deleuze durante 1961 e 1969. Postula-se como hipótese a ser demonstrada enquanto tese que o pensamento filosófico de Gilles Deleuze estabelece relações da ordem da discordância conciliável com o saber psicanalítico. A hipótese da discordância conciliável é constituída por dois mecanismos que estão interligados. O primeiro mecanismo da discordância conciliável é a sintomatologia. A sintomatologia possui seu próprio percurso que está divido em três partes: 1) sintomatologia jurídica-arquetípica, exposta no artigo De Sacher-Masoch ao masoquismo de 1961; 2) sintomatologia dos fenômenos humanos e naturais, que está presente em Nietzsche e a filosofia de 1962; e 3) sintomatologia dos elementos diferenciais, a qual está detalhada no “Prólogo” de Sacher-Masoch – o frio e o cruel de 1967. O segundo mecanismo da discordância conciliável é a topologia, que por sua vez detém um itinerário peculiar ao longo da obra de Deleuze. A topologia está presente também em Sacher-Masoch – o frio e o cruel de 1967, todavia ela se movimenta através do artigo Em que se pode reconhecer o estruturalismo? publicado em 1972, mas construído durante a década de 60. Além disso, a topologia crítica também possui um relevante desenvolvimento no capítulo 2 da tese de 1968, isto, é Diferença e repetição. O ápice da topologia ocorre no livro intitulado de Lógica do sentido, cuja publicação ocorreu em 1969. Como decorrência disso, é possível afirmar que a topologia crítica em relação à psicanálise é simbólica, nietzschiana e diferencial. O conceito que relaciona a sintomatologia e a topologia, enquanto mecanismos da discordância conciliável, é a dessexualização, a qual é elaborada ao longo da década de 60, desde o artigo de 1961 até chegar no livro de 1969. Para demonstrar essa hipótese, o desenvolvimento deste texto está dividido em três momentos, além da Introdução e da Conclusão. O primeiro momento é intitulado de O percurso da sintomatologia dos elementos diferenciais. O segundo momento recebe o título de Da topologia simbólica à topologia nietzschiana. Já o terceiro momento é denominado de A topologia dos níveis diferenciais.
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