Na Web: A ideia de plano de imanência, por Bento Prado Júnior

O que pretendo fazer, nesta circunstância, é tentar esclarecer o texto em epígrafe, que não deixa de ser enigmático, pelo menos à primeira vista. Como podem ideias como "movimento infinito" e "velocidades infinitas de movimentos finitos", de significação originalmente física, qualificar noções como as de "plano de imanência" e de "conceito", que são claramente "metafísicas"?

Se conseguirmos fazê-lo, mesmo precariamente, talvez alguma luz seja lançada sobre a concepção deleuziana da filosofia nas suas relações com a história da filosofia, com a pré-filosofia e, sobretudo, o que talvez importe mais, com a não-filosofia. Para poder fazê-lo no tempo disponível, vou limitar-me à análise de um texto curto (o capítulo três de "O Que É a Filosofia?") e proceder em duas etapas. Em primeiro lugar, uma descrição do modo pelo qual Deleuze define a ideia de "plano de imanência"; em segundo, um balanço dos efeitos mais significativos dessa concepção da instauração filosófica. Mas, para tanto, será necessário assumir uma perspectiva diferencial e comparativa.


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