Discurso do prefeito Dr. Oehler e confissão de Peter Gast junto ao túmulo de Nietzsche, em 28/08/1900

 

Discurso do prefeito Dr. Oehler junto a túmulo de Nietzsche, em 28/08/1900:

"Mas quanto foram os equívocos, os mal-entendidos que nosso amigo sofreu! Quão distorcida era a imagem que muitos tinham dele! Nós, os poucos que tiveram a sorte de conhecer o falecido como homem saudável, temos a obrigação sagrada de dar testemunho ao lado de seu túmulo de quem era Friedrich Nietzsche. [...] Quis pouco para si mesmo, tudo para os outros, para a humanidade; não procurava a honra externa ou uma posição alta. [...] Com generosidade compartilhava a riqueza de seu espírito com seus amigos e o fazia com o humor sutil e amável que possuía em seus dias de saúde. [...] Assim ele se apresenta a nós: um lutador na vida, um precursor da verdade, um espírito grande. Nós lhe agradecemos por tudo que foi para nós, por tudo que quis e buscou para a humanidade. [...] Descanse em paz após a luta, fiel amigo: que seu mundo espiritual encontre o silêncio em harmonia! Sua obra persistirá".


Confissão de Peter Gast junto ao túmulo de Nietzsche, em 28/08/1900:

"Nós, porém, que tivemos a sorte infinita de conviver com você no dia a dia, sabemos muito bem que livros e escritos não conseguem reproduzir o encanto de seu ser. [...] O que dizia o olhar de seu olho, o que dizia a sua boca - tudo era cheio de bondade e ocultava a sua majestade: Você queria (lembrando uma de suas palavras mais delicadas) - você queria nos poupar a vergonha. Pois quem poderia ter correspondido à riqueza de seu espírito, à pulsão de seu coração de alegrar os outros? Você foi uma das pessoas mais nobres e mais sinceras que jamais andaram nesta terra. E apesar de saberem disso amigos e inimigos, creio poder dar este testemunho em alta voz aos pés de seu túmulo. Pois nós conhecemos o mundo, conhecemos o destino de Spinoza. E o mundo poderia encobrir também a sua memória com sombras. Por isso, encerro com as palavras: Que a paz esteja com suas cinzas! Sagrado seja o seu nome para todas as gerações vindouras!".


Extraído de Curt Paul Janz, Friedrich Nietzsche: uma biografia, vol. III, p. 265 a 269, Editora Vozes, 2016, tradução de Markus A. Hediger.

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