Na Web: "A Nave dos loucos" e os espaços da (des)razão, por João Paulo Ayub Fonseca

 Entre a realidade da exclusão e o anseio pela liberdade, a loucura habita um campo de batalha permanente. Acontecimento perdido no tempo, sua história traduz um interminável estado agonístico: a palavra insensata quase nunca pode ser acolhida nas malhas da razão sem estar de certo modo aprisionada – silenciada – no interior de uma série de termos, categorias e definições conceituais. Contudo, para além do conjunto de significações negativas estabelecidas pelos regimes de poder e de saber encarregados de sua exclusão, encarceramento e medicalização, a expressão das múltiplas faces da loucura encontrou no campo das artes um espaço singular de existência e proliferação. Como se, para melhor expressar aquilo que se esconde nos interstícios da realidade social, objeto inapreensível, os registros do visível e do dizível próprios à linguagem artística se fizessem necessários. Nesse sentido, a composição A Nave dos Loucos (1503-1504), de Hieronymus Bosch, deve ser considerada um caso exemplar. 


Ler o artigo completo

Comentários